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25/06/2020 - 18:55:27

Eventos: Chegou a hora de desaprender

SINDIEVENTOS

“O analfabeto do século 21 não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.” A frase do escritor, economista e futurologista norte-americano Alvin Toffler deu o tom da apresentação de Avinash Chandarana, executivo responsável pelas áreas de Aprendizado Global e Desenvolvimento no MCI Group. Direto de Hong Kong, Chandarana liderou o quinto painel do Festival Internacional de Viagens Corporativas e Eventos Online, uma série criada e promovida por Viviânne Martins e Patrícia Thomas, sócias da Academia de Viagens Corporativas para destacar pensamentos, opiniões e anseios de grandes profissionais do exterior no mercado brasileiro. O evento se encerrou dia 15/6, mas trouxe mudanças para a empresa que anunciou há pouco o lançamento da Academia de Talentos, unidade de negócios focada em conectar profissionais e empresas.

A necessidade de reinvenção profissional no mercado de eventos foi defendida pelo executivo que deu dicas para consolidar esse processo e se mostrou enfático quanto à urgência em termos de mudança de postura. Amante e estudioso das neurociências, Chandarana defende que o domínio de atributos relacionados ao lado direito do cérebro – inteligência emocional, intuição, percepção, criatividade – serão mais valorizadas pelas empresas. Isso não quer dizer que o pensamento lógico estará descartado, mas muitos cargos ligados a automação e robótica podem desaparecer em, no máximo, cinco anos.

Assim, a adaptação a esse novo cenário e o equilíbrio entre expertise técnica e sobre conexão humana será crucial para a sobrevivência no mercado. “O trabalho no futuro será muito competitivo e surgirão não apenas novos empregos, como modelos de trabalho. Ninguém mais pagará um salário apenas porque você tem um diploma, isso se tornou usual. Diploma é o novo ensino médio, o que se espera de todos”, argumenta, reforçando que os profissionais devem mudar o conceito que têm de trabalho. “É o que eu faço e não o lugar para onde eu vou”.

Além de apostar no fortalecimento do trabalho remoto, Chandarana explica que 77% dos executivos consultados para uma pesquisa recente sinalizam a tendência à substituição de colaboradores em tempo integral por freelancers nos próximos cinco anos. “Acredito na formação de equipes virtuais globais, com trabalhos baseados em projetos, como acontece com a produção de cinema. Os times de diferentes partes do mundo se reúnem, executam os serviços e, ao final, o grupo se dissolve”, compara. Para ele, um dos problemas está no gap entre o grau de digitalização da sociedade e das empresas. “A curva vem aumentando de forma exponencial, muito mais rápido do que somos capazes de acompanhar, e não irá desacelerar tão cedo. O digital estará integrado a tudo e isso se reflete no usuário, que passa a demandar essas experiências. As empresas terão de contar com pessoas que se adaptem a esses novos comportamentos humanos já que o conceito de marca como diferencial foi superado e experiência, agora, é o ponto crítico”, defende. Mas o mesmo caos que destrói preceitos também traz oportunidades em temos de novos modelos de negócios. E pensar neles é essencial para “sobreviver agora e prosperar no futuro”.

Na opinião do executivo, a indústria de eventos está caminhando para consolidar o modelo híbrido, mas a maioria dos profissionais ainda não tem as competências que tragam segurança nesse ambiente. Chandarana cita o resultado de uma pesquisa realizada com 2,5 mil profissionais da indústria durante um evento online realizado em 20 de abril pela EventMB. A maioria dos respondentes (64,3%) afirmou nunca ter participado do planejamento de uma reunião em ambiente virtual.   

Qual é o futuro dos eventos, como engajar participantes por meio de tecnologias virtuais e as formas de monetizar em eventos futuros são perguntas que ainda não têm respostas categóricas, mas trazem diversas hipóteses prováveis – e todas levam à contestação da urgência em termos de aprendizagem, seja para quem opta por permanecer na mesma função ou para aqueles que decidem buscar cargos diferentes. 

Por fim, o executivo recomenda que os profissionais tenham a curiosidade como companheira constante na jornada e se transformem em pessoas que aprendem durante toda a vida, seguindo os rumos do que propõe o novo modelo de educação. “Não deixe o futuro te pegar de surpresa. Nunca é tarde para se reinventar”, finaliza.  

(fonte: Brasilturis)


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